O Medo é uma das emoções mais naturais e instintivas. Todos os seres vivos desenvolvem formas de lidar com o Medo e em particular muitos dos seres vivos irracionais adoptam comportamentos de sobrevivência reactivos muito específicos , pois a única forma de o ultrapassar é enfrentá-lo. Porque é que então connosco, seres vivos racionais, o Medo é maioritariamente encarado como algo a evitar?… A vantagem da nossa capacidade intelectual mais desenvolvida acaba por ser também, muitas vezes, o nosso principal ponto fraco. Isto porque perante situações de Medo, usamos mais o pensamento do que comportamentos instintivos. E porquê? Porque o Medo anuncia algo novo, uma ameaça, uma mudança, um desafio. Mas acima de tudo remete para a saída da nossa Zona de Conforto! E essa saída nunca é fácil. Simplesmente porque o Ser Humano tendencialmente rejeita essa saída. Tendencialmente, não gosta de mudanças. Para ele, por “pior” que seja a sua zona de conforto, pelo menos o que lá se encontra é conhecido, e o desconhecido assusta sempre!… Uma coisa é certa: permanecer na zona de conforto certamente não trará novos medos, mas também não trará nada de novo.

renascerQuem realmente pretender mudanças na sua vida (pessoais, emocionais e/ou profissionais), tem obrigatoriamente que arriscar esse salto; caso contrário, não conseguirá evoluir.

Infelizmente na sociedade actual, não aprendemos a encarar o Medo de forma saudável e prática. Muito pelo contrário, somos ensinados a dramatizá-lo de forma extrema, permitindo o desenvolvimento da ansiedade e do pavor. O segredo está em encarar o Medo como um aliado, um mentor, um conselheiro. Quando ele surge na nossa vida temos  3 hipóteses: fugimos sempre, ignoramo-lo e perdemos qualquer hipótese de evolução na vida; fugimos mas criamos ilusões sobre a dimensão desse Medo, o qual se poderá transformar em pânico e minar a nossa vida com ansiedades, angústias e até fobias; ou decidimos sair da nossa zona de conforto, enfrentamo-lo e aceitamos os seus conselhos de precaução e cautela para os caminhos novos a seguir perante as situações e pensamentos diferentes a escolher e a adoptar de modo a ser possível atingir a mudança pretendida!…

A partir do momento que começamos a estar cientes das causas desse Medo, podemos mais facilmente controlá-lo e trabalhá-lo e seguirmos o caminho escolhido de forma mais descontraída e menos condicionada.

Claro que o Medo, traduzido em preocupação, é uma resposta natural e instintiva quando se enfrenta uma situação cujo resultado é imprevisível e potencialmente ameaçador e tem sempre na sua base uma dificuldade em gerir a incerteza da própria vida. A esta incerteza estão também associadas características de cada indivíduo e as suas convicções. É evidente o impacto que isto pode ter no dia-a-dia de cada pessoa, na sua sensação de bem-estar e no modo como se relaciona com os outros.

Por isso é importante fazer esta análise mais simplista do Medo sempre que determinada situação a ele conduz, mas é igualmente importante estar atento à proporção que tomam os níveis de preocupação e ansiedade que ele gera e, caso necessário, ganhar coragem para procurar apoio para lidar com tal e conseguir a mudança tão desejada. Aprofundar o conhecimento acerca de si próprio ajuda a que cada um de nós descubra os próprios pontos fortes e a melhor forma de os usar em função do nosso equilíbrio, assim como a compreender as nossas fragilidades e seleccionar os passos para o nosso futuro em congruência com a nossa identidade, educação, valores e o que entendemos ser o melhor para o nosso equilíbrio e bem-estar.

Teresa Feijão