É natural no ser humano esperar que algo que deseje muito aconteça rapidamente. E isto acaba por ser, a maior parte do tempo, inconsciente. De tal forma que essa espera urgente pela concretização dos nossos desejos culmina muitas vezes em decepção, tal é o ideal que construímos face aos resultados esperados. Assim são as expectativas. Estas baseiam-se em probabilidades, pressupostos ou promessas. Ao criarmos expectativas em relação a outra pessoa ou situação, estamos a supor que estas correspondem ao que acreditamos. De forma mais ou menos consciente, estamos sempre a construir uma imagem das pessoas que nos rodeiam, criada não só através daquilo que observamos e analisamos nos outros, mas também através da nossa percepção individual, ou seja, das crenças que desenvolvemos ao longo da nossa vida (muitas vezes associadas à nossa imaginação), sentimentos, emoções e experiências passadas.

A questão é que quando as expectativas que criamos não correspondem ao que acreditámos, revoltamo-nos e sentimo-nos frustrados. Mas o facto é que os outros não pensam, não agem, nem sentem como nós…e muitas situações não dependem da nossa percepção e atitude – o que significa que as nossas expectativas são criadas realmente com base nas nossas crenças, que muitas vezes correspondem a ilusões, pois dependem da acção de outras pessoas/acontecimentos para se realizarem e muito pouco de nós. Aliás, a própria palavra ilusão é o contrário de desilusão; logo, se nos frustramos, se nos desiludimos…é porque criámos previamente uma ilusão! Julgamos os outros e os acontecimentos com base em suposições, mas as suposições são apenas probabilidades manipuladas pela nossa imaginação.

A criação de expectativas envolve também a forma como gerimos a nossa ansiedade perante o que esperamos que aconteça. Esperamos que algo do exterior, sobre o qual não temos realmente controlo, corresponda àquilo que julgamos como certo. Obviamente que, perante uma total falta de controlo ou um baixo controlo da situação, a probabilidade de frustração e de sofrimento é enorme. Expectativas

Para não cairmos nesta espiral da ilusão, é importante (re)pensarmos a nossa forma de encarar a vida, as situações e as relações. Se determinada pessoa não teve a atitude que esperávamos dela, se aquela situação não correu como planeámos, se aquilo que ambicionámos para a nossa vida profissional não aconteceu… não é justo para nós mesmos reagirmos com sentimentos de culpa. Se sabemos que criar expectativas faz parte da natureza humana, é então importante termos consciência que muitas vezes estamos a colocar as nossas expectativas sobre alguém ou algo, acima da compreensão que temos da realidade. Esperar muito de algo ou de alguém é  depositar fora da nossa esfera de controlo a responsabilidade da concretização dos nossos desejos. E só tendo essa consciência poderemos ir reduzindo a criação de expectativas; e só diminuindo as expectativas, se diminuem as desilusões!
A Vida não deve ser feita de expectativas. A Vida deve ser feita de escolhas!
Procura encarar  as circunstâncias da vida em dois grandes grupos:

  1. As coisas que esperas que aconteçam e que dependem maioritariamente de ti;
  2. As coisas que esperas que aconteçam mas que dependem maioritariamente mais das atitudes dos outros e das circunstâncias dos acontecimentos do que das tuas ações.

Sê realista! Analisa as opções e, com essa análise, elabora planos de ação. Toma consciência que só podes controlar e agir sobre as coisas que dependem de ti. As coisas que dependem de outras pessoas e acontecimentos estão fora do teu controlo; podes até influenciá-las de alguma forma, mas não podes controlá-las. Foca-te em tentar mudar o que podes e em identificar o que está nas mãos dos outros.
Se deixares a vida ser conduzida pelas tuas expectativas é como conduzires em excesso de velocidade de olhos tapados…! Abre os olhos. Investe no teu autoconhecimento de forma a gostares mais de ti, tomares consciência e tirares partido do teu potencial  e mais facilmente conseguires também entender os pontos de vista do outro, compreendê-los e aceitá-los.
Uma vida baseada em expectativas é ilusória, irreal e muito perigosa.
Nem a vida nem as pessoas são exactamente como nós gostaríamos que fossem. São como são. Nem mesmo nós somos como gostaríamos de ser… Mas a grande diferença é que só nós temos o poder de mudar em nós mesmos o que menos gostamos e potenciar o que de melhor temos!…

Lembra-te: “Para onde vai o foco, flui a energia.” Acredita que todas as coisas têm um propósito, que mesmo que algo não ocorra como planeaste, mesmo que não tenhas criado expectativas irrealistas face aos resultados, gere o sucedido como uma oportunidade de aprendizagem e confia que amanhã será outro grande dia com forte probabilidade de caminhares na direção certa.

Teresa Feijão