A ansiedade é, sem dúvida, uma das principais consequências da fase difícil que todos estamos a vivenciar. Diariamente, as pessoas estão a enfrentar situações e/ou a receber notícias e informações que as deixam tensas e ansiosas. A luta pela sobrevivência, as limitações e adaptação contínua à necessidade de isolamento, a pressão e o stress face ao assustador momento actual e as preocupações financeiras são fatores mais do que suficientes para gerar esse estado emocional de angústia. A principal característica da ansiedade é uma sensação de inquietação, uma aceleração do pensamento como procura de fuga do perigo, do desconhecido e das incertezas, numa procura de controlo da situação em causa e de uma tentativa de regresso a uma sensação de tranquilidade e de conforto. A ansiedade pode envolver sintomas, tais como: respiração ofegante; pulsação acelerada; palpitação ou taquicardia; tensão muscular; boca seca; suor excessivo; tremores; sensação de “nó na garganta”; aperto no peito; problemas gástricos e intestinais; náuseas; insónias.

Esta pandemia mundial e suas consequências sociais e económicas afecta fortemente o nosso bem estar físico e emocional. Sentir ansiedade é normal e necessário, uma vez que nos prepara para enfrentar as dificuldades e os perigos da vida, contribuindo para nos ajudar na tomada de decisões e no passar à acção. Contudo, quando se torna excessiva, pode levar a problemas físicos e comportamentais, prejudicando o nosso raciocínio, desempenho e levando a sofrimento psicológico. O panorama mundial actual pode, sem duvida, levar muitas pessoas a momentos de ansiedade excessiva, a qual pode correr o risco de se tornar patológica devido à elevada intensidade e à duração prolongada. E, se assim for, em vez de contribuir para ajudar a gerir o problema, dificulta ou impossibilita um melhor controlo e manutenção. A partir daqui podem surgir quadros psicopatológicos de Transtornos de Ansiedade: Síndrome do Pânico, Fobias, Transtornos Obsessivo-compulsivos, entre outros.

 

O que podemos então fazer para melhor gerir a ansiedade?

  1. Uma forma potente para controlar a ansiedade é praticar exercício físico frequentemente. A prática regular de exercício físico estimula o organismo a produzir endorfinas- hormonas que, transportadas pelo sangue, comunicam com outras células, levando a uma sensação de bem-estar, proporcionando uma elevação da auto-estima, reduzindo sintomas depressivos e de ansiedade, para além de contribuirem para o controlo do apetite. Desta forma, há alívio das sensações de tristeza e inquietação, equilibrando-se os níveis de ansiedade. A norodrenalina e a serotonina, neurotransmissores também responsáveis pelo equilíbrio do humor, são igualmente estabilizadas com a prática de atividade física. Para além disso, a prática de exercício físico contribui para melhorar a qualidade do sono, a capacidade de concentração e reflexão e a capacidade de lidar com os actuais factores crescentes de preocupação e stress. Não nos podemos esquecer também  dos benefícios consequentes relativamente à parte estética, os quais contribuem de igual modo para elevar a autoconfiança e autoestima.
  2. Investir numa alimentação mais saudável e equilibrada ajuda a reduzir os efeitos nocivos da ansiedade. Alguns alimentos contribuem para reduzir o stress e favorecer o sono, proporcionando também a matéria-prima de que o organismo necessita para a produção de neurotransmissores, as substâncias químicas que regulam o humor e induzem ao relaxamento, provocando uma sensação de tranquilidade e bem-estar. Alguns exemplos de alimentos desse tipo são: alface, maracujá, Banana, Aveia, Lentilhas, grão e ervilhas, Nozes e amêndoas, Chocolate com mais de 70% cacau, Abacate. Alimentos como a banana e o chocolate são fonte de triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, que ajuda igualmente a melhorar o humor.
  3. Evitar pensamentos negativos –  Devemos sempre procurar gerir a dimensão que damos à gravidade da situação, perguntando a nós mesmos se existe uma alternativa de análise, pois podemos estar a aumentar em demasia o nosso grau de responsabilidade perante tal ou a minimizar o poder que temos em controlar os aspectos relacionados com essa situação. Uma vez avaliadas as circunstâncias envolvidas, devemos substituir os pensamentos negativos. Sempre que um pensamento negativo se iniciar, devemos procurar substituí-lo por outro pensamento útil, prático e realista, preferencialmente, agradável. Perante o drama mundial actual, nem sempre é fácil mas é possível e isto é, sem dúvida, um aspecto importante, pois os pensamentos e as verbalizações negativas agravam a situação, reduzem a motivação e aumentam a probabilidade de preocupação e mal-estar.
  4. Investe na organização e limpeza do teu espaço! Quem vive na desorganização e desleixo perde mais tempo para encontrar o que precisa, acumula coisas sem utilidade, o que dificulta a sensação de tranquilidade e bem-estar e acaba por criar sentimentos de inquietação e ansiedade. Trabalhar, estudar e viver em ambientes organizados contribuí para uma manutenção do equilíbrio emocional. Para além disso, pessoas mais organizadas conseguem aproveitar melhor o seu tempo, reduzindo assim muitos dos fatores desencadeadores de ansiedade
  5. Planeia os teus dias (mesmo estando em fase de quarentena) – É importante escreveres o que pretendes fazer diariamente e aquilo que consideras essencial e obrigatório, pois tal contribui para reduzires o imprevisto e gerires melhor a maioria das preocupações que dependem da tua orientação;
  6. Dedica tempo ao que te dá prazer – já que este isolamento necessário implica estarmos mais tempo em casa, mesmo que possas trabalhar à distancia, reserva espaço no teu planeamento diário para fazeres coisas que realmente gostas. Sermos capazes de escutar as nossas reais necessidades são factores que contribuem também para elevar as sensações de bem-estar e controlo da ansiedade. Saber olhar para nós próprios, valorizar o que conquistámos, valorizar os nossos desejos e objectivos, tem um poder enorme para a nossa felicidade e equilíbrio;
  7. Aproveita para meditar e/ou reflectir sobre ti mesmo/a. O primeiro passo para gerires a tua ansiedade é identificar a melhor forma de a controlar e minimizar. As pessoas são diferentes, têm fragilidades e pontos fortes diferentes. A identificação desses factores em ti potencia uma maior tomada de consciência das tuas melhores estratégias de apaziguamento, dificuldades e pontos fortes, uma perspectiva mais realista dos fatos e um foco maior no controlo que podes ter sobre as consequências que as circunstâncias actuais possam ter em ti e no teu equilíbrio emocional e psicológico. Quem se conhece melhor a si próprio respeita mais os seus limites e potencia as suas forças, protegendo-se mais da ansiedade. Quem tem uma total aceitação de si mesmo pode mais facilmente pensar, falar e agir em alinhamento com as suas necessidades. A auto-exploração apela à tua criatividade, à tua curiosidade e ao desenvolvimento das tuas capacidades e habilidades, o que promove o teu bem-estar, felicidade e equilíbrio emocional, para além de potenciar a identificação dos teus pontos fortes e fracos, abrindo caminho a novas oportunidades de crescimento pessoal e a novos pensamentos mais práticos, realistas, optimistas e apaziguadores.

Teresa Feijão